A importância da amamentação para crianças e os impactos na sua formação

1. Introdução

O leite que a mãe produz para o bebê é um fluido extremamente completo, cheio de vitaminas e nutrientes. Ele é necessário para que o neném se desenvolva de forma saudável, sem necessitar de algum complemento alimentício até os seis meses de idade. A partir dos seis meses, o leite deixa de ser um alimento exclusivo e passa a complementar a dieta da criança até os seus dois anos de idade.

Neste post, explicaremos a importância do aleitamento materno para o recém-nascido e os impactos que ele causa no seu desenvolvimento. Além disso, tiraremos dúvidas que todas as mamães têm a respeito do seu leite e apresentaremos todos os benefícios que só o leite materno pode proporcionar. Boa leitura!

2. Qual a composição do leite materno?

As características bioquímicas do leite variam conforme o período de amamentação, e são dividas em:

Colostro

É o leite materno pós-parto, espesso, pegajoso e de cor amarelada, secretado na primeira semana de vida do bebê. Possui um menor teor de lactose e gorduras, e um alto teor de vitaminas, proteínas, nutrientes e imunoglobulinas (anticorpos). As proteínas são constituídas de aminoácidos, que, por sua vez, participam da formação de tecidos, músculos e órgãos. As vitaminas contidas no leite materno são A, C, D, E, K e as do complexo B, muito importantes para garantir multiplicação celular adequada e uma boa formação óssea.

O leite dessa fase possui fatores de crescimento (como o fator bífido) responsáveis por desenvolver a microbiota intestinal do recém-nascido e transferir lactobacilos. Além disso, o colostro possui efeito laxante e ajuda o bebê a liberar as suas primeiras fezes (mecônio), prevenindo a icterícia neonatal. Apesar de ser produzido em quantidade reduzida — a criança suga de 2 a 20 ml por mamada —, o colostro é essencial e suficiente para reforçar o sistema imune do bebê e garantir seu bom desenvolvimento.

Leite de Transição

Esse tipo de leite é secretado na segunda e terceira semanas de vida do bebê. A concentração de imunoglobulinas e proteínas diminui, mas as gorduras e açúcares aumentam em quantidade, mudando a composição do leite. A lactose — que é o açúcar do leite — é o segundo constituinte mais importante do leite humano.

As gorduras variam com a alimentação da mãe, mas as que merecem destaque são os ácidos graxos, o ácido araquidônico e o ácido docosahexanóico. Essas gorduras são essenciais para a boa formação do sistema nervoso e o aprimoramento da visão, raciocínio, fala e locomoção no desenvolvimento do neném. Ele é mais fluido e produzido em maior quantidade, sendo normal sentir o peito pesado e cheio de leite. O bebê irá mamar mais e com mais frequência, apresentando aumento de peso significativo.

Leite Maduro

Esse tipo de leite é secretado do final do primeiro mês de vida do recém-nascido até o leite da mãe secar. Conforme o tempo passa, o leite materno fica mais “aguado” e mais fluido, mas isso não significa que não contenha todos os nutrientes necessários. Normalmente, o teor de lactose e açúcares diminui, enquanto o de gorduras aumenta. A principal fonte de energia do bebê são as gorduras, principalmente os triglicerídeos.

Além disso, o leite maduro é rico em vitaminas e minerais. Os minerais mais encontrados são Cálcio, Ferro, Zinco, Fósforo e Cobre. Eles entrarão na constituição dos dentes e ossos e no transporte de oxigênio para as celulas, além de realizar inúmeras outras funções, como o fortalecimento do sistema imune.

3. Leite materno ou leite industrializado?​

O leite materno contém a exata combinação de substâncias que o bebê necessita em cada período de sua vida. Além dos nutrientes, gorduras, proteínas e vitaminas já citadas, o leite humano possui outros componentes que não podem ser incorporados à fórmula do leite industrializado: são as substâncias bioativas.

Exclusivas do leite materno, esses componentes protegerão o organismo do bebê no período pós-parto. Quando o neném nasce, seu sistema imunológico é deficiente, sendo propenso a adquirir infecções. Na primeira amamentação, a mãe passa anticorpos já prontos para combater alguns patógenos que podem entrar em contato com o bebê. O contato com o seio da mãe provoca uma troca de microbiota, fortalecendo as defesas do neném.

Além disso, o leite materno possui endorfina em sua composição, um neuro-hormônio responsável pela sensação de bem estar. Esse hormônio diminui a dor das cólicas e aumenta a eficiência das vacinas dadas. Isso é muito importante, pois o sistema imune do bebê é imaturo e não conseguiria combater certas infecções com a mesma eficácia que os anticorpos adultos fazem. Dessa maneira, um recém-nascido que só ingere leite artificial terá somente seus próprios anticorpos (pouco presentes no sangue) e suas defesas imaturas, ficando mais vulnerável a doenças oportunistas.

O aleitamento materno é, sem dúvida, a melhor opção. No entanto, algumas mulheres não possuem leite suficiente para amamentar ou sofrem de problemas pós-parto, como a depressão, e não conseguem dar leite a seu filho. Para esses casos, o uso de fórmulas industrializadas pode ser muito útil. Existem hoje no mercado inúmeras opções de boa qualidade que contêm todos os nutrientes necessários a cada idade. Outro dica é ficar atento à composição do leite, pois a maioria é feita a partir de leite de vaca, o que pode desencadear uma alergia no recém-nascido. É importante consultar seu pediatra para escolher a melhor opção para seu filho.

4. Os 10 principais benefícios da amamentação para o neném

Evita cólicas

O leite de vaca e o leite industrializado são feitos basicamente de uma proteína chamada caseína. A caseína é uma proteína grande, e, consequentemente, de difícil digestão. Esse tipo de proteína fermenta muito ao ser digerida, produzindo gás em grande quantidade, o que pode causar cólicas no bebê. A proteína do leite materno é basicamente a globulina, menor e de fácil digestão.

Além disso, quando o bebê mama diretamente no peito, não há entrada de ar em seu estomâgo. No entanto, ao usar a mamadeira, há uma maior ingestão de ar, contribuindo para as cólicas abdominais e a irritação do recém-nascido.

Combate a anemia

O leite materno possui grandes quantidades de ferro, mineral necessário para o transporte de oxigênio para os tecidos. Os outros leites possuem pequenas quantidades de ferro e grandes de cálcio. Dessa maneira, se faz necessária a suplementação de ferro para crianças que não mamam para prevenir a anemia ferropriva. Esse fato se agrava quando a concentração de cálcio é muito alta e acaba inibindo a absorção de ferro.

Desenvolve a arcada dentária e os músculos

O movimento de sucção realizado pelo neném ao mamar gera um estímulo para o desenvolvimento dos ossos do crânio e da face, além de fazer com que a dentição cresça de forma adequada. Os músculos do pescoço, face e da boca são usados em movimentos coordenados, o que refletirá positivamente na deglutição, mastigação e respiração da criança no futuro.

Aumenta o vínculo e afeto entre mamãe e filho

Enquanto mama, o bebê estabelece contato físico e visual com a mãe ao tocar em seus seios e olhar em seus olhos. O calor gerado pelo abraço da mãe tem papel importante no estado emocional do bebê. O contato deixa a criança mais calma e segura, o que evita a ansiedade e choros. Esse cuidado será refletido no futuro, colaborando para uma melhor relação da criança com outras pessoas.

Protege o bebê de doenças

O sistema imune de um recém-nascido é muito primitivo. A mãe fortalece as defesas do bebê ao passar vários anticorpos seus para ele por meio da amamentação. Infecções comuns nos seis primeiros meses de vida, como a otite e a diarreia, acontecem em menor frequência crianças que amamentam.

Diminui os riscos de um recém-nascido desenvolver alergias

A maioria das alergias são adquiridas no primeiro ano de vida e estão relacionadas à proteína do leite da vaca. Quando a criança não tem contato com essa proteína, as chances de desenvolver dermatite, sinusite, bronquite, rinite e sintomas alérgicos diminuem. O esforço do bebê para sugar ajuda a desenvolver os pulmões, contribuindo para uma menor incidência de problemas respiratórios em lactentes maternos.

É prático

O leite materno não precisa de ser preparado nem aquecido. Está sempre pronto para ser transportado nas mamas da mãe e pode ser ingerido em qualquer lugar e a qualquer hora. Além disso, não desperdiça recursos naturais e não suja o meio ambiente com embalagens.

Contém PSTI

PSTI é uma molécula que faz parte da constituição do leite materno. Sua função é reparar e também proteger o intestino sensível dos recém-nascidos. Esse processo é efetivo contra as cólicas intestinais e a diarreia.

É benéfico para o desenvolvimento cognitivo

A gordura presente no leite da mãe é feita de ácidos graxos. Os ácidos graxos poli-insaturados são encontrados em abundância no leite e entram na constituição dos neurônios, além de favorecer as sinapses nervosas. Durante os seis primeiros meses de vida, o neném se alimenta apenas de leite materno. Após esse período, é recomendável que o bebê continue mamando para complementar a dieta até os seus dois anos. Isso é importante porque 80% do desenvolvimento do encéfalo acontece nos dois primeiros anos de vida. Dessa forma, mamães com leite rico em gordura têm filhos com melhor desenvolvimento cognitivo, de fala e de raciocínio lógico.

Garante a saúde dos bebês

Isso acontece porque o leite materno tem as vitaminas, lipídios, proteínas e demais nutrientes necessários para o seu desenvolvimento. Ele é limpo e possui substâncias com propriedades anti-infecciosas. Além disso, o leite contém substâncias que impedirão o crescimento de bactérias patogênicas no intestino dos recém-nascidos, impedindo crises gastrointestinais e diarreicas

5. Os 8 principais benefícios da amamentação para a mãe

Ajuda a emagrecer

A produção de leite está em constante processo e gasta muitas calorias. Ao mesmo tempo, é normal sentir muita fome e também muita sede. Para que a mãe consiga retornar ao seu peso normal, ela deve fazer refeições leves e saudáveis, livre de doces e de alimentos com muita gordura. É importante que ela seja equilibrada, pois os nutrientes do leite são provenientes da alimentação da mãe.

Evita hemorragias e auxilia na recuperação do parto

Durante o parto, ocorrem vários micro sangramentos. O processo de amamentar faz com que o útero fique retraído no pós-parto, ajudando a conter as hemorragias, o que reduz o risco de anemia. Além disso, os órgãos pouco a pouco vão voltando ao seu estado normal, pois o aleitamento ajuda na perda de líquidos corporais que causam inchaço.

Tem efeito protetor contra doenças

Mulheres que amamentaram seus filhos têm menor chance de desenvolver doenças como câncer de mama e dos ovários e osteoporose.

Aumenta a autoestima da mulher

A gravidez e a chegada de um filho traz consigo inúmeras inseguranças maternas. A mamãe tem dúvidas sobre os cuidados e se sente muito incapaz. Ao amamentar, a mulher experimenta uma incrível sensação de bem-estar e se sente capaz e segura. O sentimento é de realização e autoconfiança.

Ajuda na involução do útero

O estimulo da sucção de leite faz com que o corpo da mulher secrete dois hormônios. O primeiro é a prolactina, responsável pela produção de leite nas glândulas mamárias. O segundo é a ocitocina, hormônio importante que auxilia as contrações na hora do parto. No período da amamentação, a ocitocina participa da ejeção do leite, mas continua atuando na contração uterina. Esse processo pode causar algumas cólicas durante o aleitamento, mas ajuda o útero a voltar ao seu tamanho normal.

Evita novas gestações

Enquanto a mãe amamenta, é pouco provável que ela engravide novamente. Isso ocorre porque o corpo produz hormônios que suspendem a ovulação. No entanto, se houver menstruação, a mãe deve ficar atenta caso não queira engravidar novamente, usando métodos contraceptivos.

Traz vantagens para a família

O aleitamento materno, além de ser o melhor alimento para a criança, ainda é de graça. Dessa forma, a família economiza. Bebês amamentados adoecem menos, o que melhora a qualidade de vida tanto da criança quanto de seus pais, que não passam tanto tempo preocupados com o bebê doente.

Traz vantagens para o planeta

Mamadeiras e bicos são feitos de plástico e vidro, materiais que demoram muito tempo para serem decompostos na natureza. Sua produção gera muito lixo e poluição. Ao amamentar, a mãe dispensa esses utensílios.

6. 10 doenças prevenidas pela amamentação

Asma

O bebê que mamam no peito tem menor risco de desenvolver doenças como a asma. Isso acontece porque seu desenvolvimento pulmonar é propiciado pelos movimentos de sucção que ele realiza durante a mamada.

Infecções intestinais e diarreia

Por meio da amamentação, os bebês recebem uma molécula chamada PSTI. Essa molécula atua no intestino dos recém-nascidos, protegendo o órgão de infecções que podem causar diarreias e doenças gastrointestinais.

Dermatite e vômitos

Bebês que mamam não têm contato com a proteína do leite da vaca. Essa proteína costuma causar diversas alergias no organismo, como a dermatite. Além disso, podem irritar a mucosa intestinal ou estomacal e provocar sensibilização, com produção de vômitos e diarreia. A proteína do leite humano é facilmente digerida pelo recém-nascido e não causa esses sintomas.

Pneumonia e meningite

O leite materno oferece proteção contra inúmeras doenças oportunistas, como a pneumonia e meningite. Isso ocorre porque o bebe ganha anticorpos aptos a combater os patógenos que penetram suas defesas. O mesmo ocorre com otites e bronquiolites.

Anemia

A anemia é prevenida pela amamentação, pois o leite materno contém altas concentrações de ferro. O ferro é necessário para transportar oxigênio e nutrir as células do nosso organismo.

Cólicas e prisão de ventre

A proteína do leite materno é de fácil digestão, diferentemente da proteína do leite de vaca. Dessa forma, o bebê absorve melhor os nutrientes, evitando uma anemia, além de evitar cólicas e prisão de ventre causadas pela lentidão do processo de digestão.

7. Meu leite secou. E agora?

Amamentar um filho é um momento importante e estimado pelas mães. Mas também é um momento de muitas dúvidas e medos, principalmente em relação à possibilidade do leite secar ou não ser suficiente. O estresse é um dos principais fatores que inibem a produção de leite. Isso acontece porque a prolactina, hormônio responsável pela produção de leite, sofre grande influência de fatores emocionais. Se a mulher fica nervosa, os níveis de prolactina podem cair, causando uma diminuição na quantidade de leite.

Outro fator que influencia diretamente a produção de leite é a pega mamária. Se o bebê suga apenas o mamilo, não há muita saída de leite. Quanto menor o estímulo, ou seja, quanto menos o bebê sugar, menos leite irá sair. Por esse motivo, é importante obter orientação para a pega mamária correta.

Se, por algum motivo, seu leite secou, não se desespere. O leite nunca seca totalmente — existe apenas a sua diminuição caso não haja um estímulo adequado para a mama manter a produção de leite. O importante, nesse caso, é verificar se o estímulo está correto. Para que isso aconteça, o bebê deve sugar o mamilo corretamente. Os lábios devem estar virados para fora e bem abertos. A auréola fica pouco visível, o queixo toca o seio e o nariz está livre. Repare se o seu bebê faz movimentos de sucção fortes e se a mandíbula se desloca para frente durante a mamada.

Quando um bebê mama bem, ele faz pausas para engolir o leite que acumulou em sua boca. Evite bicos artificiais antes dos seis meses. Eles fazem com que o bebê “desaprenda” a sugar e rejeite o peito. Outra forma de estimular os seios a produzir mais leite é usar bombas de ordenha automáticas que simulam o movimento de sucção do seu bebê. Lembre-se: quanto maior o estímulo, maior a produção de leite.

Aposte em alimentos que estimulam a lactação, como leite de amêndoas e castanha do pará. Sementes de feno-grego, erva doce, cominho e gergelim preto também são indicadas. Salmão contém grandes quantidades de ômega 3, composto que enriquece o leite materno. Ele é especialmente importante em crianças que nasceram prematuras, pois estimula o desenvolvimento delas. Ter uma alimentação equilibrada e beber muita água são pontos cruciais, assim como descansar sempre que possível. Estar relaxada vai garantir que seu corpo tenha energia e motivação para produzir mais leite para o seu bebê.

8. O que acontece com uma criança que não amamenta corretamente?

O aleitamento materno é um processo natural e que não deve ocorrer com muitos obstáculos. Neste post, apresentamos os inúmeros benefícios que a amamentação natural e prolongada causa na vida de uma criança. No entanto, se ela não ocorrer corretamente ou não for suplementada, pode haver prejuízos para a vida do bebê.

Um bebê que não amamenta com leite do peito está mais propenso a pegar infecções e adoecer. Isso acontece porque seu sistema imune ainda é debilitado para lidar com os patógenos existentes. É comum que esses bebês fiquem resfriados com facilidade ou contraiam doenças de época durante as epidemias, como caxumba, sarampo e rubéola.

Pesquisas demonstram que crianças que não foram lactentes têm menor desempenho na escola, além de demonstrar maior dificuldade nas relações interpessoais. O leite materno é rico em gordura, especialmente ácidos graxos, essencial para formar as conexões neuronais e desenvolver as especialidades cognitivas nas crianças.

Habilidades como falar, andar e raciocinar estão intimamente ligadas ao aleitamento materno, pois o desenvolvimento infantil mais significativo acontece nos dois primeiros anos. Nesse período, a criança aprende e se desenvolve muito, não podendo faltar estímulos, tanto sensoriais quanto nutritivos. Os vínculos afetivos também são iniciados nessa época. A mãe cria um laço de amor, carinho e cumplicidade ao amamentar seu bebê. É mais comum encontrar crianças retraídas e com problemas de relacionamento dentre aquelas que não receberam lactação materna.

Quando uma criança não recebe alimentação correta, ela pode ficar desnutrida. Esse quadro pode se instalar facilmente em bebês, pois sua única fonte de nutrientes e água está no leite materno. Estima-se que cerca de 87% do leite humano seja formado por água. A cada 100ml ingerido, o bebe ganha cerca de 70kcal. Se não mamar corretamente, corre o risco de ficar desnutrido e também desidratado.

9. Conclusão

O leite da mãe é o alimento natural da criança. Durante os seis primeiros meses de vida, é essencial para sua nutrição, além de passar carinho e afeto para a criança. Se ocorrer alguma dificuldade no começo da sua amamentação, não desista! Os primeiros meses são mesmo difíceis. Após o período de adaptação, mamãe e bebê desfrutarão de um momento único e mágico!

A importância da amamentação para crianças e os impactos na sua formação
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