Período de chuva chegando? Conheça quais são as doenças comuns durante esse período

Por causa das características do clima de boa parte do Brasil, o verão é um período de bastante chuva em várias áreas do país.

As chuvas intensas e em excesso, somadas ao acúmulo de lixo em locais inapropriados e à falta de cuidado com o planejamento urbano, fazem com que ocorram alagamentos, aumentando o número de casos de doenças infectocontagiosas transmitidas pelo contato com a água acumulada nesses alagamentos.

Neste post, vamos apresentar as doenças comuns durante o período de chuvas, os seus sintomas e a melhor forma de preveni-las.

Doenças comuns em épocas chuvosas

O calor e a umidade típicos do verão criam um ambiente propício para a proliferação de vírus e bactérias diversos, aumentando a incidência de algumas doenças específicas durante esse período.

Muitas delas estão associadas à maior ocorrência de chuvas no período — seja porque há também maior ocorrência de alagamentos e enchentes e, assim, o contato das pessoas com água contaminada por vírus e bactérias, ou porque as chuvas facilitam a proliferação de vetores (agentes transmissores) de doenças.

Leptospirose, hepatite A, febre tifoide, micoses e viroses que provocam vômitos e diarreias são algumas das doenças comuns em época de chuva e serão detalhadas a seguir.

Leptospirose

Causada pela bactéria Leptospira interrogans e transmitida a partir do contato com a urina do rato (que contamina a água em casos de enchentes, por exemplo), a leptospirose causa febre alta, dores pelo corpo, infecções na panturrilha e pele e olhos amarelados. Ela pode ainda provocar o mau funcionamento dos rins, levando até a morte.

Após a entrada da bactéria no corpo, os sintomas podem ocorrer imediatamente ou demorar até um mês para aparecerem.

Como o índice de mortalidade associado à leptospirose é alto (duas mortes a cada dez pessoas contaminadas com a bactéria), assim que os primeiros sintomas surgem é preciso procurar orientação médica. O tratamento é feito com administração de antibióticos.

Hepatite A

Normalmente, a hepatite A é transmitida pela ingestão de alimentos mal lavados sobre os quais esteja o vírus causador. Porém, se o vírus estiver na água acumulada por enchentes e houver a ingestão acidental dessa água, a doença também pode se desenvolver, e os primeiros sintomas aparecem entre 15 e 45 dias após a infecção da pessoa.

A hepatite A atinge o fígado e é caracterizada por perda de apetite, dores abdominais, febre, pele e olhos amarelados e urina escura.

Conforme especialistas, não há um tratamento específico para a doença e, em geral, ela acaba por se resolver sozinha dentro de um ou dois meses. Contudo, o acompanhamento médico é necessário para evitar complicações que podem levar à necrose das células hepáticas e à morte.

Febre tifoide

Da mesma forma que a hepatite A, a febre tifoide pode ser adquirida a partir da ingestão acidental de água das chuvas — contaminada pela bactéria Salmonella typhi — assim como de alimentos mal higienizados e até por meio de beijos de uma pessoa infectada.

A bactéria faz com que surjam inflamações em forma de úlceras no aparelho digestivo. Por isso, entre os sintomas estão a febre, dores no estômago e enjoo. Além disso, ocorre o aumento do volume do baço.

Por ser causada por uma bactéria, o tratamento é feito com a administração de antibióticos.

Viroses

Mais uma vez, o contato e a ingestão da água contaminada podem fazer com que as pessoas desenvolvam viroses que causam diarreias e vômitos. Outros sintomas são desconforto abdominal e perda de apetite.

Em geral, as viroses têm um ciclo de curta duração (cerca de dois dias), ao fim do qual a pessoa está recuperada. Porém, diarreias e vômitos causam desidratação, por isso é importante manter-se hidratado durante o período. Se isso não for possível, é preciso buscar atendimento médico para administração de soro diretamente na corrente sanguínea.

Micoses

As micoses são causadas por fungos, que se proliferam em ambientes quentes e úmidos. A transmissão ocorre por meio do contato da pele com superfícies e água contaminadas, e as doenças (há vários tipos, dependendo do fungo causador e do local atingido) se caracterizam pelo aparecimento de manchas claras ou avermelhadas na pele, coceira e descamação.

O tratamento para as micoses é simples e costuma envolver a aplicação de pomadas antifúngicas. Contudo, é importante procurar orientação médica para identificar o tipo de micose e o medicamento mais adequado para combatê-la.

Como prevenir essas doenças?

Primeiramente, é importante evitar o contato com a água acumulada por enchentes, assim como com a lama espalhada por ela (que se torna aparente, em geral, após a água baixar). Isso significa sair dos locais onde um alagamento está se formando e não permitir que crianças brinquem ou mergulhem nessa água.

Outras medidas são usar luvas e botas de borracha ao higienizar locais atingidos por enchentes — bem como para tocar e limpar objetos que tenham entrado em contato com a água ou com a lama — e jogar fora alimentos e medicamentos que tenham sido atingidos pela enchente.

A higienização de casas (ou comércios) e objetos é bem importante e deve ser feita não apenas com água e sabão, mas também com uma solução desinfetante composta por água e água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%).

É importante também lembrar de lavar bem os alimentos, consumir água tratada, filtrada ou fervida e tentar minimizar o risco de alagamentos, deixando o lixo para a coleta em local apropriado — em vez de jogá-lo em terrenos baldios, na rua ou em rios, por exemplo.

No caso específico das micoses, vale ainda manter a pele bem seca, especialmente as regiões com dobras (cotovelo, virilhas e joelhos).

Atenção com a dengue!

Apesar de não ser transmitida pelo contato com a água, a dengue também se torna mais comum no período chuvoso. Isso acontece porque as chuvas possibilitam maior acúmulo de água em pneus, caixas d’água destampadas etc. Nesses ambientes, o aedes aegypti, mosquito que transmite a doença (vetor), se reproduz, aumentando também a proliferação da dengue.

Os sintomas da doença, que aparecem entre cinco e sete dias após a picada do inseto contaminado com o vírus, são dores no corpo e nas articulações, febre alta (acima de 38ºC), cansaço, enjoo e o aparecimento de manchas na pele.

Em caso de dengue hemorrágica, após os primeiros dias, ocorrem também sangramentos nasais, gengivais, urinários, uterinos e gastrointestinais.

Comumente, os sintomas da dengue (ou, pelo menos, os sintomas iniciais) são confundidos com os de uma gripe forte, além de serem semelhantes aos de leptospirose. Contudo, a administração de remédios como o ácido acetilsalicílico (aspirina), por vezes usado para combater o mal-estar causado por uma gripe, pode piorar o quadro da dengue.

Por isso, aos primeiros sintomas, é importante buscar atendimento médico para fazer o tratamento adequado e evitar o agravamento da doença, que pode levar à morte.

Para evitar a dengue, a primeira medida deve ser eliminar os focos do mosquito durante todo o ano. Na época de calor e chuva, é preciso ainda usar repelente, colocar tela nas janelas e, dependendo da região, vestir roupas compridas.

E aí, gostou do nosso post sobre doenças comuns em período de chuva? Então, aproveite e informe-se ainda mais, lendo também sobre doenças raras que afetam crianças. Até a próxima!

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