Cuidados fundamentais com a moleira do bebê

A moleira, aquela parte mais molinha da cabeça dos bebês, traz muitas preocupações para os pais, mesmo os que já não são de primeira viagem. Apesar de parecer muito sensível, essa parte do crânio do recém-nascido é bem resistente, como se fosse uma lona, e oferece a proteção adequada ao cérebro em crescimento. A moleira é um indicativo importante da saúde da criança, e alguns cuidados são fundamentais para evitar traumas e também para reconhecer os sinais de que algo não está bem com seu filho.

Saiba mais sobre a moleira do bebê.

A moleira é um tecido elástico

O crânio dos bebês é como um quebra-cabeça formado por peças de ossos que se ligam por meio de tecidos elásticos e resistentes, como a moleira. O nome técnico da moleira é fontanela, e, na verdade, os bebês têm duas delas no alto da cabeça. Uma que fica na parte posterior, menor e que muitas vezes passa despercebida pelos pais. E outra bem na frente, logo reconhecida por todos por ser maior e mais visível. O tamanho da moleira varia de acordo com cada criança, mas, em geral, tem entre duas e três vezes o tamanho do polegar de um adulto. A fontanela menor vai se fechar por volta do segundo mês de vida do bebê. Já a maior, somente se fechará entre 9 e 15 meses.

A moleira facilita o nascimento

A primeira função da moleira é facilitar o nascimento. São essas partes elásticas do crânio que permitem que a caixa craniana da criança se contraia durante o trabalho de parto, facilitando a passagem do bebê pelo estreito canal vaginal da mãe. Alguns recém-nascidos apresentam, após o parto, uma pequena deformação na cabeça, como um afunilamento, também conhecido como moldagem. Isso não é motivo de preocupação, pois se deve à compressão durante o nascimento. A cabecinha do seu bebê deve voltar ao normal dentro de uma semana a dez dias.

A moleira permite o desenvolvimento do cérebro do bebê

Outra função importantíssima da moleira é proteger e favorecer o desenvolvimento cerebral da criança. Ela permite a flexibilidade da caixa craniana, garantindo o espaço necessário para o crescimento do cérebro do bebê. Esse desenvolvimento é tão intenso que, no período de até 15 meses, o perímetro da cabeça do bebê aumenta cerca de 10 centímetros. A cabeça dele só terá esse mesmo crescimento ao longo dos 20 anos seguintes de vida.

Cuidados fundamentais com a moleira

Apesar da aparente fragilidade, não é necessário nenhum cuidado especial com a moleira do bebê. Cuidados básicos como evitar quedas e traumas são suficientes para garantir a segurança da cabecinha do seu filho. Outra recomendação indispensável é manter em dia as consultas ao pediatra. Até um ano de vida, o acompanhamento do crescimento do perímetro do crânio da criança é fundamental para identificar problemas de má formação e outras doenças.

Abaixo, listamos alguns sinais de alerta percebidos na moleira do seu bebê e que podem indicar que algo não vai bem.

Moleira abaulada

Especialmente se acompanhada de febre, a moleira abaulada, ou seja, levemente levantada, pode ser um indicativo de meningite — uma doença grave que causa a inflamação das membranas que recobrem o cérebro. Pode ainda indicar um excesso de vitamina A no organismo da criança. Se perceber essa anormalidade na moleira do seu bebê, leve-o imediatamente ao pediatra.

Mas atenção! Para verificar se a moleira está realmente levantada, deixe o bebê na posição vertical. Quando ele está deitado, você pode ter uma falsa impressão do abaulamento da moleira.

Moleira afundada

O afundamento da moleira é um sinal de desidratação, principalmente se o bebê também apresentar diarreia ou vômito.

Fechamento precoce da moleira

Bebês que apresentam um fechamento da moleira antes do sexto mês de vida, ou nascem com a moleira fechada, precisam de acompanhamento especial. Isso porque o fechamento precoce faz com que a caixa craniana comprima o cérebro — uma condição conhecida como cranioestenose —, o que causa deformidades na cabeça do bebê e até mesmo problemas neurológicos, devido à dificuldade de desenvolvimento do cérebro. Essa é uma doença congênita que o bebê adquire ainda quando é um embrião. Suas causas podem ser hereditária, infecciosa (como é o caso de sífilis na gestação) ou intrauterina. É uma condição mais comum em meninos e deve ser tratada até o oitavo mês de vida.

Uma das possibilidades de tratamento é uma cirurgia para criar espaços ou suturas no crânio para aliviar a compressão e favorecer o crescimento normal do cérebro. Quanto antes o diagnóstico for feito, melhor será o acompanhamento e prevenção de comprometimentos neurológicos.

Fechamento tardio da moleira

Bebês com hidrocefalia ou acúmulo de líquido da espinha dorsal na cabeça apresentam uma demora no fechamento da moleira. Essas condições provocam um crescimento anormal do crânio, e o tratamento também costuma ser cirúrgico, para a colocação de válvulas de drenagem.

Outras doenças que causam o fechamento tardio da moleira são hipertensão intracraniana e alterações na tireoide.

Pulsação da moleira

A pulsação da moleira é normal e reflete a pressão arterial no cérebro. Quando o bebê chora, essa pulsação fica mais forte. Quanto mais intenso o choro, mais intensa será a pulsação. Só há motivo para preocupação se a pulsação for muito intensa e vier acompanhada de sintomas como febre, vômito etc.

Plagiocefalia posicional

O posicionamento do bebê no útero, um parto complicado ou a gravidez de gêmeos podem causar deformações como assimetria ou cabeça torta, conhecidas como plagiocefalia posicional. Essas deformações cranianas tendem a se normalizar com o tempo, mas se não houver alguns cuidados, antes do fechamento da moleira, a assimetria pode ficar para sempre. Uma maneira de evitar a deformidade é variar a posição de repouso da cabeça do bebê. Lembrando que a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é que os bebês durmam sempre de barriga para cima. Assim, deve-se posicionar a cabeça da criança hora para um lado, hora para outro e também para cima.

Agora que você conhece os cuidados que se deve ter com a moleira do bebê, leia também nosso post sobre os exames de saúde que seu filho deve fazer assim que nascer.

Cuidados fundamentais com a moleira do bebê
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