Quais os tipos de parto mais comuns atualmente?

A evolução da medicina proporcionou muitas mudanças para a assistência ao parto. Enquanto antigamente o procedimento era feito sem recursos medicamentosos, atualmente vemos um fenômeno de medicalização intensa.

Mas ao mesmo tempo em que a tecnologia médica avançou, a gestante perdeu espaço na decisão do parto e passou a ser coadjuvante no processo, decidido quase exclusivamente pelos médicos.

Em resposta a isso, felizmente existe um grande movimento de empoderamento das mulheres que considera as preferências das mães. E a escolha do tipo de parto é uma das questões fundamentais.

É muito importante que a grávida conheça os principais tipos de parto e as indicações, vantagens e desvantagens de cada procedimento para tomar a sua decisão de forma sensata.

Saiba mais sobre os tipos mais comuns de parto na atualidade e conheça as principais características de cada um.

Parto natural

Esse tipo de procedimento é realizado por via vaginal e acontece sem qualquer medicação ou interferências dos profissionais de saúde. Pode ser realizado em casa, clínicas especializadas e hospitais e ser acompanhado por doulas, obstetras e enfermeiras, que monitoram a evolução das contrações.

A gestante precisa conhecer os sinais e sintomas das contrações uterinas e a dilatação, assim como as situações que requeiram atenção médica. Durante o trabalho de parto, é permitido alimentar-se e procurar uma posição confortável, que pode ser agachada, de lado ou sentada, devendo-se evitar a posição de costas. Também é possível solicitar outras estratégias para alívio da dor, como bolas de parto, massagens e aromaterapia.

Para o parto natural, recomenda-se fazer exercícios de yoga durante a gestação, acompanhar relatos de gestantes que passaram pela mesma experiência, frequentar grupos que apoiam o procedimento e preparar emocionalmente o parceiro ou as pessoas próximas que acompanharão o nascimento.

As vantagens desse tipo de parto são o controle total do processo pela mulher, o maior contato do bebê com a mãe e a descida mais rápida do leite.

As desvantagens são as dores durante o trabalho de parto e as possíveis complicações clínicas que necessitam de intervenção médica.

Parto normal

Esse parto acontece pela via vaginal e pode ter interferência de um profissional de saúde. A gestante escolhe o local e a posição mais confortável para o trabalho de parto. Se o bebê estiver posicionado na forma cefálica e encaixado no útero da grávida, ocorre o processo de dilatação, e as contrações ritmadas ajudam na saída do recém-nascido.

O procedimento do parto normal ocorre da mesma forma que o natural. A diferença é que no parto normal pode ser dada anestesia ou serem realizados outros procedimentos, conforme determinação da gestante. Em alguns casos, pode ser necessária a realização de episiotomia, uma incisão feita no músculo entre a vagina e o ânus para facilitar o parto.

As vantagens do parto normal são a recuperação rápida (se não houver intercorrências) e o rápido estímulo para a saída do leite pelo peito.

As desvantagens estão relacionadas a maior esforço físico, pois o trabalho de parto pode durar horas ou dias e ser doloroso.

Parto cesárea

No parto cesárea é feito um corte mínimo na região situada entre a parte inferior da barriga e a parte superior da vagina. A grávida é anestesiada previamente da cintura para baixo e, então, o cirurgião retira o bebê.

Esse procedimento cirúrgico é indicado principalmente quando não é possível fazer o parto normal devido à desproporção da cabeça do bebê com a pelve da mulher ou quando o bebê está com o cordão umbilical em volta do pescoço. Também podem ser indicados para o parto cesárea os casos em que os bebês estão em sofrimento fetal ou em que as parturientes apresentam hipertensão ou diabetes gestacional.

Após a costura dos pontos, a gestante vai para a sala de recuperação, onde é monitorado o efeito da anestesia. Algumas mulheres relatam dor de cabeça, dificuldade de voltar a sentir o movimento das pernas, hipotensão, boca seca, dentre outras.

As vantagens do procedimento são a possibilidade de programá-lo previamente e, segundo mostram alguns estudos, a preservação da genitália.

As desvantagens são a possibilidade de infecções uterinas e hospitalares, a ardência e o formigamento no local da incisão, o inchaço, que perdura por mais de 7 dias, a dor no pós-operatório e a dificuldade de descida do leite.

Parto humanizado

O parto humanizado é aquele abordado de uma forma holística, considerando os aspectos físicos, emocionais e clínicos. São atendidas as solicitações da gestante, e o evento é marcado por ternura, carinho, dignidade e respeito ao equilíbrio entre mãe e bebê.

Esse tipo de parto é realizado por via vaginal, e a assistência durante o trabalho de parto preconiza o uso de procedimentos e medicações apenas em casos de complicações clínicas ou de escolha da mãe.

Para que o parto aconteça, a gestante elabora um plano de parto para relatar os procedimentos que são autorizados durante o processo e quais serão decididos por ela ou pelo companheiro ou pessoas próximas que acompanhem o nascimento. Em geral, a mulher escolhe desde o ambiente, cores e músicas até a forma como o bebê será enrolado após o parto.

A principal vantagem do parto humanizado é que a mulher tem toda a liberdade para escolher as intervenções, não sendo direcionada para outro procedimento.

As desvantagens são os imprevistos que podem ocorrer durante o parto, impossibilitando a continuidade dos desejos da parturiente. É o caso de situações clínicas que justifiquem mudanças e condutas que precisem ser tomadas imediatamente e sem consulta prévia da mãe ou dos acompanhantes.

Parto a fórceps

Nesse tipo de parto é utilizado um instrumento obstétrico que segura à cabeça do feto e, com muita técnica, consegue deslocar o bebê até o canal vaginal.

Apesar de ser muito questionado o seu uso, o parto a fórceps ainda possui indicações clínicas. A primeira delas é poupar o esforço físico da gestante ou reduzir o risco de complicações maternas. Também pode ser feito em casos de gestantes com limitação de movimentos, que apresentam problemas cardíacos e pulmonares e que estejam muito fragilizadas pelo esforço, situação que pode desencadear um problema neurológico.

Também é indicado o uso do fórceps quando há sofrimento do bebê evidenciado por batimentos cardíacos diminuídos, os quais são verificados por aparelhos como estetoscópio fetal e sonar obstétrico.

As vantagens desse parto são as facilidades proporcionadas às mães que estão em situações clínicas complicadas, com limitação de movimento ou força.

As desvantagens são que estudos mostram que o uso de fórceps pode causar lesões na mãe, risco de hemorragia e destruição do tecido uterino, além de danos físicos no feto. É por isso que a sua prática tem caído em desuso no Brasil.

Parto na água

Esse tipo de parto ocorre dentro de uma banheira ou piscina pequena, com água na temperatura de 36 °C a 38 °C, para manter o conforto da mãe e evitar desidratação.

A grávida entra na banheira somente quando o trabalho de parto está em andamento, com dilatação uterina e contrações frequentes. Durante esse período, são permitidos lanches, água ou chás calmantes.

Com a evolução das contrações e o esforço da gestante, ocorre à saída do bebê. O fato de o parto acontecer na água pode contribuir para desconfortos da mãe em encontrar uma posição favorável durante o procedimento. O parto na água não é indicado para gestações de alto risco, parturientes com sangramento vaginal excessivo ou bebês que estiverem em posição pélvica.

As vantagens desse parto são o relaxamento muscular, em consequência da água morna, que promove a dilatação dos vasos sanguíneos e o controle da dor. Além disso, o parto na água não necessita de intervenções médicas ou farmacológicas, e a mãe controla todo o processo.

As desvantagens são relacionadas à existência de um risco, ainda que pouco relatado na literatura, de asfixia e afogamento do bebê. Portanto, a escolha do local e dos profissionais deve ser bem criteriosa.

Como você viu, são vários os tipos de parto. Por isso, é importante que a grávida conheça os principais procedimentos e converse com o médico sobre suas preferências. Essa decisão leva em conta as condições clínicas da gestante, o desejo da mãe e a saúde do feto.

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  1 comment for “Quais os tipos de parto mais comuns atualmente?

  1. DANIELA
    22/01/2017 at 15:04

    GOSTARIA DE SABER SE EXISTE AQUI EM PERNAMBUCO NO PLANO HAPVIDA PARTO COM DIREITO A DOULA??? GOSTARIA DE UMA RESPOSTA POIS UMA AMIGA TEM ESSA DUVIDA. DESDE DE JÁ AGRADEÇO.

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